Mochilão

Aquele em que tenho mais sorte do que juízo

Você já teve a impressão de que construiu uma situação em que tudo deveria dar errado, mas de alguma forma baixa uma luz milagrosa do céu e, de repente, dá tudo certo? Eu tenho essa sensação 99% do tempo.

Em julho de 2016 eu voltei a morar em Montenegro, o que durou apenas um mês. Nesse meio tempo, rolou um show do Criolo em Porto Alegre. Combinei de ir para casa de uma amiga na Cidade Baixa (bairro), onde alguns amigos nos encontrariam. Ao chegar em Poa acaba a bateria do meu celular. Entro no ônibus e penso “ok, eu sei onde é”, afinal, eu já fui lá muitas vezes. É noite. Chego na frente do prédio e percebo que não lembro qual o número do apê. Toco o interfone de alguns apartamentos que acho que podem ser, mas ninguém atende. Nesse momento, uma menina muito simpática está saindo do prédio e pergunta se eu quero entrar. Entro.

Já estou na metade da escada para o segundo andar quando me dou conta que NÃO estou no prédio certo. Merda, Júlia. Volto para a porta de entrada com a intenção de trocar de prédio, só que está trancada e não tenho como sair. Procuro uma tomada pelo corredor pra tentar carregar o celular. Nada. Assim, sou obrigada a bater nas portas pra ver se alguém pode abrir pra mim. Por sorte, na terceira tentativa um cara atende. Conto que estou presa e peço pra abrir. Ele também é simpático e abre.

Saio e paro no prédio vizinho. Dessa vez tenho 110% de certeza que é o prédio certo. Novamente toco o interfone de todos os apartamentos que penso que podem ser o da minha amiga e ninguém responde. Antes de entrar em desespero, percebo que no prédio do lado tem três meninas conversando no portão. Chego nelas, conto o que aconteceu e peço para carregarem meu celular. As duas que não moram no prédio vão embora, e a terceira entra me dizendo que já volta.

No momento que a porta fecha, percebo que fiquei na rua sem saber o nome e o apartamento da pessoa que saiu com meu celular e carregador. Não é a primeira vez no dia que penso que eu me supero na idiotice de vez em quando. Enquanto espero, chega o cara da pizza. Acho que ele fica com pena de mim, porque pergunta se eu quero entrar. Eu não sei pra onde ir, então espero ali mesmo. Como sou uma pessoa de muita sorte, depois de um tempo a menina volta com meu celular, e tem bateria suficiente pra eu falar com a minha amiga. Enquanto espero ela descer, um cara chega, aparentemente não está armado, mas eu já estou tão nervosa que ele leva os únicos dois pila que tenho de grana. Ok. Finalmente ela aparece, subo, nos arrumamos e vamos encontrar o pessoal pra ir para o Opinião.

Na volta, além da minha amiga dona do apê, mais um amigo nos acompanha. São mais de 3 da manhã. Estamos chegando no prédio dela quando dois caras nos param. O segundo assalto em menos de 10 horas, não dá pra acreditar. Eles dizem que estão armados, apesar de não mostrarem uma arma. Pedem o celular. Eu e meu amigo estamos na rua, ele parado na minha frente tentando me proteger. Nossa amiga está na calçada, assim como os dois caras. O meu amigo tá tentando falar numa boa com os caras, quando minha amiga começa a correr de um lado pro outro, ainda com um copo de cerveja na mão, dizendo “eu vou correr, eu vou correr…corre, gente”. Todo mundo fica desnorteado. Os assaltantes, inclusive.

Eles ficam dizendo pra ela parar de correr, e dizendo pra gente mandar ela parar de correr. Mas ela não tá indo pra lugar nenhum, apenas correndo de um lado pro outro sem sair do lugar e ainda repetindo aquela frase. Meu amigo entrega o celular pra eles e pede para que nos deixem. Pela segunda vez no dia, consigo manter meu celular. Eles vão embora. Mas minha amiga ainda fica correndo de um lado pro outro mais um pouco. Acho que ela colaborou para que eles fossem embora rápido.

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Selfie dos amigos felizes protegidos em casa pós assalto na CB.

Finalmente subimos. Nesse momento já estamos rindo do dia bizarro que passou. Depois desse episódio, uma outra amiga me disse que se existia anjo da guarda, o meu devia ser maratonista. E deve mesmo. Só espero que ele tenha forças pra aguentar meu mochilão sem me abandonar, porque nem posso imaginar as histórias que vem pelo caminho. Alguém nos ajude, Lázaro.

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