​​Aquele sobre a mochila e nossa chegada

 

Fazer minha vida entrar numa mochila de 60 litros pra poder sair sem prazo pra voltar foi uma das coisas mais difíceis do pré viagem. Por isso, aqui vai a dica 1 do mochilão: termine de arrumar as suas coisas com, no mínimo, dois dias de antecedência. Isso vai permitir ajustes e testes com o peso da mochila, e sobre o quanto você aguenta com ela. Com quanto tempo eu terminei de arrumar a minha? Isso mesmo que você deve estar pensando: na hora que eu estava saindo de casa pra viajar, duas horas atrasada do horário marcado. Ou seja, eu sei do que tô falando.

Eu percebi que tava pesada quando coloquei nas costas, e meus irmãos insistiram muito nisso. Mas não tinha mais tempo e tinha aguentado. Ainda cheguei na rodoviária achando que tinha sido super razoável, pois coloquei só o essencial e deixei fora coisas que normalmente levaria. Mas ai a Rafa chegou com a mochila dela (de quem vai ficar dois anos fora) e eu percebi claramente que tinha exagerado. Nesse ponto eu já tinha rodado pela rodoviária e percebido que teria que me desfazer de alguns itens. Não daria pra caminhar muito com tudo aquilo, as costas já estavam pedindo socorro.

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Com a mochila pronta, antes de sair de casa. Foto: Vitória da Motta.

Embarcamos às 23h30min, no ônibus da Planalto com destino ao Chuí, onde chegamos às 07h35min. Da rodoviária do Chuí até a casa da pessoa que nos hospedaria a distancia era de 15km, viável fazer a pé, e queríamos testar o pedido de caronas na estrada. Só que depois de andar por duas horas, já não estava mais aguentando o peso da mochila e pensando que tinha que parar. Nesse momento apareceu nossa primeira carona. Sorte. Ficamos muito tempo fazendo sinal e não entendendo a resposta dos motoristas. Dessa vez fizemos um pequeno escândalo pra demonstrar que também estávamos indo pra Barra (depois descobrimos que esse era o sinal que as pessoas estavam fazendo). E ele parou. Era uma espécie de fiorino e fui atirada no chão atrás, só conseguia agradecer por não ter que andar por um tempo. Ele foi tão legal que saiu do caminho para nos deixar na nossa parada.

Como chegamos antes do horário no local e estávamos a uma quadra da praia, resolvemos ir lá. A Rafa tinha uma canga, que eu tentei ajudar a estender ainda com a mochila nas costas. Pior ideia. O resultado? Caí na areia molhada, emborcada pra trás, quando tentei me abaixar. Fiquei tentando levantar, rolei um pouco na areia e precisei tirar a mochila pra conseguir isso. Sozinha, além disso, porque a Rafa só conseguia rir. Nem 10 da manhã do primeiro dia e já caí meu primeiro tombo. Sucesso.

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Primeiro tombo no Uruguai, nas primeiras horas do primeiro dia. Foto: Me leva embora estrada afora/ Rafaela Ely.


Fuerte San Miguel

O primeiro ponto que estava no nosso roteiro era o Fuerte de San Miguel, em 18 de Julio, a 10km do Chuí. Sem os 30kg nas costas, ficou bem mais fácil caminhar. Mas o lance sobre caronas é que uma vez que você pega a primeira, fica confiante o suficiente pra achar que vai conseguir sempre. Fomos andando e resolvemos arriscar. Bingo. Um casal parou. O filho deles estava viajando no mesmo estilo que nós, há um ano já, e ela nos contou que eles sempre dão carona por isso. Uma maneira que encontraram de sentir que estão perto dele, mesmo longe. Lá no Chuí conseguimos outra carona até a frente do local.

A entrada do forte custa 40 pesos (equivalente a 6 reais). Visitei alguns fortes na vida, mas foi a primeira vez que: 1) ele não era cercado pelo mar; 2) a calmaria do local me atingiu de uma maneira tão profunda. Não fossem os carros passando na estrada lá embaixo, não se ouviria nada no lugar, além dos sons da natureza. Mas aqui vai a dica 2: não esqueçam repelente. Eu esqueci e fui devorada pelos mosquitos.

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Fuerte San Miguel, em 18 de Julio/Uruguai. Foto: Júlia da Motta.

Na volta, conseguimos três caronas: do forte ao Chuí, onde andamos mais um pouco para chegar no centro e ir ao mercado; da rota 9 até a Aduana (onde se passa pela imigração); e de lá até a casa. Quando chegamos ainda não eram 18h, o que nos permitiu estender novamente a canga na praia, sem mochilas dessa vez, pra esvaziar a cabeça e admirar o entardecer. É a primeira vez em dois anos que me sinto verdadeiramente livre.

Nosso próximo destino é o Parque Nacional de Santa Teresa.

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