Mochilão · Uruguai

Aquele do dia das mães

Ela vem no pensamento com uma frequência inexplicável. Bate aquela vontade de compartilhar as coisas.  Lugares que eu acho que ela gostaria de conhecer, coisas que ela gostaria de ver, histórias engraçadas que ela riria comigo. Mas a verdade é que boa parte da motivação dessa viagem vem do vazio que a partida dela deixou.

Cabo Polonio era o lugar que mais queria conhecer no Uruguai. Sempre tinha ouvido muito a respeito, sobre a energia única que cercava o lugar. Por isso coloquei na cabeça que queria passar o dia das mães lá. Sabia que seria um dia difícil e nostálgico pra mim e achei que essa vibe poderia ajudar.

No caminho entre Valizas e Cabo Polonio. Trajeto mais cansativo, mas também mais bonito, que fizemos com as mochilas. Foto: Rafaela Ely.

O Cubija, vizinho do nosso anfitrião e de quem ficamos amigos, se ofereceu para nos levar até a praia no seu caminhão, o que nos poupava uns 15 minutos de caminhada. Nós deixamos com ele a chave da casa do nosso anfitrião, que depois de 3 dias ainda não tinha voltado.

Cabo Polonio já visível ao longe, em uma das paradas que fizemos no caminho. Foto: Rafaela Ely.

Caminhar pelas dunas com as mochilas foi a coisa mais difícil que fizemos. A areia fofa tornou o caminho bem mais cansativo e tivemos que parar algumas vezes no meio daquilo que parecia um deserto interminável. No meio do percurso avistamos uma pessoa ao longe, algo impensável no meio do nada, e eu ainda brinquei com a Rafa dizendo “imagina se é a brasileira que tua amiga disse que estava em Valizas?” e adivinhem? Era ela. Mais uma daquelas coincidências absurdas da vida. Quando isso ocorreu ainda estávamos na metade do caminho.

Uma das paisagens mais bonitas que já vi, no meio da nossa travessia. Foto: Júlia da Motta.

Apesar de bem cansativa, essa travessia valeu muito a pena. Não só por percebermos que poderíamos fazer qualquer coisa, mas também porque foi uma das paisagens mais lindas que já vi. Às vezes, ficávamos paradas só para admirar aquela imensidão. No ponto mais bonito, em cima de umas pedras, olhando a praia lá embaixo, pensei no quanto minha mãe teria gostado daquele lugar. Como sempre acontece, a saudade apertou o coração. Mas estava tranqüila, ela estava comigo. No pensamento e no coração, me protegendo de algum lugar.

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